A Romania de 2002 e a Reforma da Previdência

Bom dia… eu sei que é meio chato falar de política e economia no domingo mas… é assim, cada um se diverte com o que gosta!

Muitos anos atrás, quando eu era magro e tinha cabelo – muito e preto (prova enclosed) visitei com amigos locais uma Romania “quase recém saída” do regime do Ceaucescu. O país era uma mistura de montanhas e cidades rurais do século XIX e Bucareste central, que parecia uma mistura de Paris dos anos 30 com prédios megalomaníacos do seu ultimo ditador soviético e blocos enormes de concreto nos quais pessoas moravam. Chamavam a isso de “prédios residenciais” como sabemos como são, os havia visto em Berlim.

Seu povo, pobre num país rico, fervorosos católicos que agora podiam expressar sua fé de que dias melhores viríam, por que naquele momento era apenas o que podiam fazer…

Enquanto passeava com meus amigos locais por Bucareste, tudo muito cinza, cidade sem cor, carros brancos, azuis e cinza apenas pontilhados por alguns vermelhos saudosistas, tentava buscar as perguntas para entender o que havia acontecido ali, até que entramos em um bairro específico. Mansões lindas, free estand ou pequenos prédios charmosos de 4 andares, em terrenos muito grandes mas um pouco mal cuidados, uma area elegantemente decadente. E daí meu amigo me disse: “isso tudo aqui era proibido de visitar durante o regime de Ceausescu…” e claro, entendia fácil o porquê: jardins, praças com canteiros de flores, percebia-se que havia sido um lugar muito bonito…

E eu perguntei: “e quem morava aqui? Quem construiu isso?”

Ele me explicou: “essas mansões foram feitas no curto ciclo de grande força econômica do país, entre as duas Guerras européias, éramos o maior produtor de petróleo da Europa e um dos maiores produtores de alimentos também, Bucareste era conhecida como “a pequena Paris”… mas fizemos escolhas erradas, o país se alinhou à Alemanha nazista e depois da Guerra, como éramos de menor interesse para os aliados que a Alemanha, entramos como moeda na troca e ficamos para a União Soviética…”

“- Uhm… é… e essas casas?”

“- Bem, essas casas foram abandonadas depois da guerra mas com a chegada dos Russos, primeiro elas foram usadas por eles e, depois, quando foram embora e deixaram seu governo-satélite, foram ocupadas pelos burocratas do governo…Nós não podíamos passar por aqui, era tudo fechado com blocos, arame farpado, guardas e cancela… esses eram os nossos magnatas comunistas!

“- como assim?”

“- Ganhavam bem, tinham seus próprios supermercados, lojas de roupas importadas da Europa e dos EUA, dirigiam seus carros, moravam nessas casas mas aí de quem dissesse alguma coisa! Vc não sabia se o seu novo vizinho não era da policia, e eles faziam exatamente isso: te forçavam a se mudar de onde vc vivia, da sua casa, do seu bairro, dos seus amigos… todo mundo, era compulsório, e te diziam “cuidado, seu novo vizinho pode ser da policia e estsr te vigiando…” e diziam isso para todos! Assim vc nunca, nunca sabia se voce iria ser denunciado por algima coisa (escrevendo isso hj eu me lembro do projeto do Lucio Costa para Brasilia, me dá calafrios…). A Revolução Comunista, tanto aqui quanto na Rússia e nos outros países satélite foi, na verdade, a substituição da elite burguesa arcaica e exploradora pela elite de funcionários públicos, arcaicos, eles mesmo burgueses, e exploradores. Na fábrica onde eu trabalhava – forçado, porque não queria mas um trabalho me foi determinado, ganhava o equivalente à 400 rublos, todo mundo ganhava isso e 90% era infeliz.. mas a gente se acostuma. Por sorte não tocaram em parte das terras da minha família, muito trabalho para eles, e fazíamos algum dinheiro extra vendendo lenha no inverno…”

“E agora?” “Agora não sabemos…”

“- E o que aconteceu com essas pessoas, esses burocratas que moravam aqui?” “-bem, muitas já morreram, seus descendentes sumiram, outros foram presos, acusados de roubar, mas vc sabe, tiramos uns, entram outros… só não moram mais aqui… muita visibilidade! Os mais inteligentes no início do processo foram embora, grande parte para Moscou, aprendemos. Cirílico na escola, outros para Paris, afinal, éramos ou não a “pequena Paris? E hoje temos os novos magnatas do petróleo e a Mafia local… rsrsrs, mas temos novos negócios, hoje as empresas de fora começam a olhar para nós…

Resumo, hoje a Romênia é parte da União Europeia e tem um PIB per capita (PPC) de mais de US$ 19.000,00 e IDH 0,811 contra os US$ 15.600,00 e IDH 0,759 do Brasil. Somos próximos hoje, além do idioma de base parecida (voce, com boa vontade e criatividade consegue ler algo em Romanche). E em comum tanto lá quanto cá a elite dos funcionários públicos… por 40 anos uma pequena classe de burocratas, privilegiados pela proximidade do poder e que organizaram um país para lhes dar conforto e segurança enquanto que os demais cidadãos vivem nos 400 rublos + dinheiro da lenha. É justo o protesto deles, afinal de contas não criaram as regras, apenas as seguiram. Mas não lhes deixam mudar, essa é a diferença tanto la quanto cá e, na era dos extremos, fazer qualquer crítica aos privilégios de poucos é quase crime lesa-pátria, não podemos. Mas fica a provocação, fica a ideia de que por mais difícil que seja abrir mão de uma gorda aposentadoria cedo na vida para gozar por muitos anos, talvez até mais do que os que passou trabalhando, é a justiça e a ética para além dos privilégios legais que está em jogo. Nesse momento estamos laceando a corda dos funcionários públicos e deixando a outra corda tensa. Não é justo.

O MST na Holanda (e o que voce deve saber sobre ocupação fundiária e territorial no Brasil)

O MST na Holanda!
Para aqueles que ainda não sabem , estou na Holanda, vim para trabalhar por uma semana e tambem rever amigos queridos. Nesse fim de semana participei de uma das mais tradicionais e únicas tradições Holandesas, a festa de Sinterklaas, ou de São Nicolau, que no dia 05.12 vem da Espanha com seu auxiliar, Zwarte Piet (essa é uma outra looonga estória…) para distribuir presentes… é o nosso relativo ao 24.12 no Brasil e outros países católicos… mas, novamente, essa é uma outra estória…
A estória que eu quero contar aqui é diferente. Num dado momento um dos meus sobrinhos (troquei fraldas, dei papinha, brinquei, fui babysitter dos três, então sou tio!), de 14 anos, chega para mim e me diz: “Mario, que bom que voce está aqui! tenho uma apresentação sobre o Brasil amanhã no colégio… voce sabe alguma coisa sobre o “MST e como os grandes fazendeiros expulsam os pequenos proprietários das suas terras no Brasil”?
Oi? Como???
“é, a professora pediu, temos que fazer uma apresentação sobre o Brasil, sobre o agronegócio, o MST…”… “Entendo”, disse eu, “pois bem, coincidencia ou não essa é uma das minhas áreas de conhecimento, vou te explicar a minha visão que pode ser diferente da visão da sua professora, mas vou te mostrar o filme e não a foto oke?” E comecei a desconstruir, com fatos e dados, o ponto central da questão que ele me apresentou, e a lhe mostrar que existem vários Brasís dentro de um lugar só chamado Brasil e como essa coisa toda funciona…
Comecei por aqui: “bem, para existir agricultura voce precisa de 4 fatores fundamentais: “terra, água, conhecimento e capital, oke?”, mas antes de falar sobre isso preciso te explicar um pouquinho sobre como ocorreu a ocupação do território do Brasil. E fui lhe mostrar a Historia do Brasil, uma pequena parte.
Comecei em 1494, com o Tratado de Tordesilhas que dividia o Mundo conhecido e desconhecido entre Portugueses e Espanhois sob as bênçãos do Papa. Mostrei o país dividido em 15 capitanias hereditárias, concedidas aos amigos do Rei para que fossem explorados seus recursos naturais, pois Portugal não tinha recursos para explorar o novo território. A primeira imagem que lhe mostrei é histórica, sobre como ocorreu a ocupação do espaço “recém descoberto” (não vou entrar nessa discussão aqui) pelos Portugueses e que mais tarde veio a se chamar Brasil.
Ele me perguntou sobre essa parte amarela e eu lhe disse que pertencia aos Espanhóis, mas que estes demonstravam pouco interesse naquelas terras do centro do continente, ocupados eles que estavam com a prata, o ouro e as esmeraldas na costa Andina (Peru, Bolivia, Colombia…), e então ilhe expliquei o que foram as Entradas e Bandeiras.
Falei sobre a “relação” entre a população autóctone e os invasores, sobre o escravagismo dos indios e também do seu exterminio em massa por doenças ou armas, o que fez com que os Portugueses começassem a trazer negros da África, assim como seus contemporâneos ingleses fizeram nas colônias da América do Norte. Contei estórias, ou historias, sobre os ciclos da Carne, do Açúcar, do Café, do Ouro… expliquei um pouco sobre a Abolição da Escravatura e sobre como, com isso, os negros fugidos ou recém libertos, sem dinheiro nem estudos nem trabalho se juntaram em guetos, no campo chamados Quilombos, nas cidades que começavam a se formar, as Favelas. Expliquei então sobre as migrações Européias e Japonesa para o Brasil para substituir os negros alforriados desde a segunda metade do século XIX, sobre como vieram os Alemães, os Italianos, Espanhois, Poloneses e tantos mais Europeus fugidos da Grande Fome do final do século retrasado na Europa (e como os Irlandeses foram para os EUA) e chamados para trabalho remunerado e ganhar algum dinheiro, dinheiro juntado com muito sacrificio para poderam comprar seus primeiros pedaços de terra para fincar raízes. E daí começei explicando a urbanização e como as pequenas propriedades começaram a aparecer, primeiro na região sul do Brasil, área montanhosa e fria que atraiu os imigrantes europeus, vindos com sua cultura de pequenas áreas de trabalho e espírito cooperativo, e depois principalmente os japoneses em torno dos primeiros núcleos urbanos que começavam a se formar e como a forte têndencia gregária dos japoneses os trouxe para próximo de seus conterrâneos já instalados no país. E mostrei que, diferentemente do que acontecía na região Sul e Sudeste, nas regiões Centro, Nordeste e Norte do Brasil as coisas não eram assim… esperava a pergunta que veio afinal: 
“e porque não é assim nessas outras regiões?”…
uhm, vamos lá então falar sobre outros fatores que afetam a presença do homem no território e a agricultura e produção de alimentos em geral, vamos falar de Solo e Água. Então lhe mostrei essas duas imagens, muito relevantes mas desconhecidos para a grande maioria das pessoas: o pH do solo e o regime de chuvas:
Terra:
O pH do solo, lhe disse, é um dos fatores mais importantes na agricultura, ele é quase um resumo (o certo sería usar a palavra “proxy”) da qualidade de solo que voce tem disponível para agricultura. Solos muito ácidos ou muito alcalinos não são bons para a agricultura, entretanto o ser humano vem trabalhando em solos alcalinos por muitos milhares de anos, principalmente na nossa civilização ocidental, desenvolvendo técnicas e selecionando variedades que vão melhor nesse tipo de pH, mas o conhecimento, a técnica e mesmo o custo de transformar solos ácidos em solos de pH neutro (o melhor para a agricultura) é relativamente recente e custa muito, muitos recursos… então, se voce olha o mapa de pH do mundo voce verá que as áreas mais nobres para a produção agrícola são as de pH de neutro para alcalino, como o meio-oeste norte americano, a Ucrania, partes do sul verde da África e norte da China. E isso é determinado pela idade do solo (o Brasil está em uma área muito antiga do continente, dessa placa tectônica), pela temperatura e pelo regime de chuvas (o que implica na velocidade das reações químicas). E isso é fato, e o fato  é: o solo do Brasil é, via de regra, ruim para agricultura.
E para aprimorar essa visão lhe mostrei uma foto que eu tireiem Santa
Cruz – RN, nalgum momento no meio do ano passado (2017)… primeiro essa…
Santa Cruz – RN, Brasil
e ele disse “seco”…
então lhe chamei atenção para um detalhe na foto…
Santa Cruz, RN, Brasil, Zoom showing bridge over a dry riverbed

e ele disse: “uau, tem uma ponte lá, enorme, mas não tem nenhum rio embaixo dela!!” eu confirmei e então lhe perguntei: “de que vale terra sem água?” e ele me disse “nada”, e eu continuei, “então, me diz, aonde as pessoas donas ou herdeiras daquelas capitanias hereditárias no nordeste dão acesso ou direito à terras para as pessoas de lá?” e ele me respondeu “no meio daquela mancha vermelha sem chuva não é?” … “É…”

E terminei essa explicação perguntando: “e então qual é a conclusão?” ao que ele me olhou intrigado e eu lhe respondí: “a conclusão é essa” e mostrei a seguinte imagem:

brazil at night from space. Notice that population is concentrated at the coast, where the rainfall regime is more steady and access to logistics easier.
Ninguém no interior do país!!
E aqui as coisas começam a ficar interessantes… em primeiro lugar então temos, entre o final do século XIX e inicio do século XX, uma massa de imigrantes europeus que vêm para o Brasil e ocupam a região Sul, principalmente a área costeira, e as áreas montanhosas da região Sudeste (Rio e Espírito Santo), imigrantes acostumados a lidar com pequenas propriedades nos seus países de origem, e também acostumados a trabalhar juntos quer em sistemas de mutirão ou de cooperativas. Ainda no Sul/Sudeste temos uma grande produção de café (não coincidentemente numa área agrícola que vai do oeste de SC até o oeste do estado de SP e que é conhecida como Terra Roxa Estruturada,  um solo oriundo do derramamento de basalto dos antigos vulcões extintos no Brasil, e um solo muito fértil e produtivo, de pH em torno de 5,5 enquanto nas demais áreas do país o pH é em torno de 4 – sendo essa uma escala logaritmica, ou seja, 4 é 15x mais ácido do que 5,5 entende???) que vai atraindo os imigrantes, principalmente os italianos e espanhois. Entretanto no Nordeste as mudanças são poucas: o regime de chuvas, o regime de exploração da terra, as diferenças socio-econômicas e culturais vão mantendo a distância enorme entre os grupos sociais, numa estrutura de exploração agropecuária retrógrada. No Norte a Amazônia dominava, o Ciclo da Borracha enriquecia poucos bolsos e o Brasil detinha o monopólio da seringueira (a Fordlândia, fundada em 1928 para explorar o látex na Amazonia está aí para provar essa parte da estória…) mas, no Centro-Oeste, nada, absolutamente nada, uma vez que pelos olhos da tecnologia disponível nas primeiras décadas do século XX tanto o solo extremamente ácido da região quanto o regime de chuvas (6 meses de chuvas, 6 meses de seca) praticamente inviabilizava grandes aproveitamentos extensivos da terra. Pois assim ía o Brasil nas primeiras décadas do século passado, entre pequenas propriedades próximas às cidades que cresciam sem parar, pequenos produtores integrados às embrionárias cadeias produtivas no Sul do país e grandes produtores tanto de café no Sul/Sudeste quanto de cana de açúcar no Nordeste e borracha (e cacau) na Amazonia.
O tempo passa. Em SP em em MG vários ciclos produtivos se iniciam, a laranja e a cana-de-açúcar em particular enquanto que, no Sul, os imigrantes que chegaram no inicio do século e compraram suas pequenas propriedades com seu trabalho começam a se retirar da lida diária, enfrentando entretanto um grande desafio: direitos sucessórios. Como passar adiante um pequeno pedaço de terra, agora para ser dividido entre tantos filhos, para que possam dele sobreviver? A primeira pressão demográfica começa a acontecer no sul do país, em SC o preço das terras aumenta, o relevo não é favorável e os desmatamentos propiciam deslizamentos de terra, até que um fenomeno meteorológico extremo e decisivo empurra vários produtores agrícolas para uma nova fronteira: a grande geada em 1975 que destrói completamente os cafezais do oeste do Paraná e do interior de SP e que leva os produtores a buscar novas áreas e novas culturas agrícolas. E esse movimento não é isolado: o país tem uma nova capital no Centro-Oeste, a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) fundada em 1973 em consonância com a Revolução Verde a nível mundial, inicia uma série de desenvolvimentos científicos que revolucionaríam a produção de alimentos. Além disso a EMBRAPA tinha o mandato de ajudar o país a aumentar os ingressos de divisas internacionais para contrabalancear o aumento vertiginoso do preço do barril de petróleo, na primeira grande crise do óleo, também em 1973. O país precisava de um agronegócio que encarasse a atividade agrícola com outros olhos, que aportasse conhecimento e que gerasse riqueza. E a EMBRAPA, juntamente com algumas universidades de Agronomia do Brasil (UVF em particular), desenvolveram vários cultivares e variedades de várias gramíneas, oleaginosas e outras (soja, milho, sorgo, milheto, algodão, vários tipos de capim para alimentar gado, etc), todas adaptadas às condições do Centro-Oeste (resistentes à seca, resistentes à presença de aluminio no solo (outro problema no Brasil), resistentes ao baixo pH, resistente às doenças tropicais, às pragas e outros patógenos daninhos que atacam as plantas) o que possibilitou, pela primeira vez, o assentamento de novos colonos nas novas fronteiras agrícolas brasileiras (MS, MT, GO, sul do PI, MA, TO), a criação de novas cidades e novos negocios, novas oportunidades para migrantes do RS e SC principalmente, novas oportunidades em um território com terra muito barata e que, ainda que de má qualidade inicial, com a aplicação de novas tecnologias desenvolvidas, muitas possibilidades de desenvolvimento! Entretanto, sim, de tudo isso uma outra parte da equação ainda ficou em aberto: como fazer para escoar a produção de grãos do Centro-Oeste para os centros consumidores, dentro e fora do país? Isso porque o Brasil é refém de uma infraestrutura de transporte terrestre e maritimo muito deficiente e insuficiente para as necessidades do país. Então, para ser produtor de qualquer tipo de produto agropecuário no Brasil, principalmente na área central do país não basta “apenas” querer, é necessário mais do que isso, é necessário ter o poder administrativo e econômico para produzir em local de tão dificil acesso.
MST
“Ah mas e o MST?” Pois é… o MST é um movimento interessante, aliás, a discussão sobre a posse da terra é um assunto muito interessante mesmo! E por que? Porque é o que de mais anacrônico um pode querer discutir! O MST é um movimento que nasceu no bojo do governo militar no Brasil e foi um destinado à discutir um modelo de assentamento de terras em um mundo onde a tecnologia não dominava a agricultura o que sería, hoje, como ter uma discussão sobre o direito do uso de charretes quando todos nós usamos automóveis. Discussão sobre terra é algo do século XIX, começo do século XX, uma pessoa passar de “sem-terra” para “com-terra”, sem nenhum dos outros três fatores fundamentais é pura perda de tempo. De que adianta criar assentamentos de pequenos produtores em regiões de agricultura extensiva e nao intensiva, como aquelas próximas às cidades?? De que vale invadir fazendas ou largas extensões de terra para quem não tem acesso à conhecimento e capital para fazê-las produzir em quantidade e no custo adequado para ser competitivo, para dar de sustento à uma pessoa, quem dirá uma familia? Pense bem: um hectare (10.000m2) produz em média 3.500kg (60 sacas de 60kg) de soja que valem hoje no mercado algo em torno de US$ 20,00/sc ou US$ 1.200/ha de receita, isso fora as despesas… ou seja, levando-se em conta que um agricultor médio tenha 10% de margem bruta de lucro estamos falando de R$ 480,00/ha/ano, isso contando que tudo deu certo, que tudo foi bem…
então a pergunta que fica é, e foi a mesma que eu fiz para meu sobrinho: é mesmo verdade que os grandes fazendeiros expulsam os pequenos de alguma área ou o que acontece é que os pequenos não podem nem conseguem sobreviver às complexidades de produzir commodities em grandes áreas, por falta de condições de conhecimento e financeiras? E, se assim for, qual é a alternativa para essas pessoas além de serem instrumentos nas mãos daqueles que lhes insuflam à invadir fazendas como se fossem resolver suas vidas ou, pior, como se fossem puxar para baixo as vidas daqueles que eles invadiram as propriedades?
Então esse foi o assunto de domingo, uma conversa simples, baseada em fatos e não em factoides, baseada em ciência e não em achismo, baseada em idéias e não em ideologias. E como é um assunto que eu acredito que seja de interesse ou curiosidade de várias pessoas eu resolví estender essa discussão para que mais pessoas tenham acesso à essas informações e que possam questionar, complementar, colaborar ou mesmo discordar, mas sempre tendo alguma fonte fidedigna de informação para se basear.
espero que ajude.
abraços
MNG

Qual religião professa um elefante ao lembrar aonde enterrou seus mortos?

Uma das observações que mais espantaram os estudiosos da vida animal no século passado foi perceber que os elefantes tinham um ritual muito claro e preciso sobre a sua morte e a dos do seu grupo. Muitas manadas voltavam à um preciso e determinado local não só para morrer mas também para celebrar seus mortos. “Astonishing!” dizia a mídia científica, “como podem animais supostamente irracionais terem esse tipo de comportamento?” Como podem eles saber aonde estão seus antepassados? E é isso mesmo, os elefantes choram? Como assim, sentem? Raciocinam? Entendem seu próprio ritual?” E eu, um apaixonado pela Ciência aguardava aflito as cenas do próximo capítulo! O que mais vão eles descobrir? E à isso, na minha cabeça de criança, se juntavam as estórias de ruínas desenterradas no Peru, na América Central, África, Europa e todas as discussões dos arqueólogos, antropólogos, sociólogos sobre uma explicação de cunho religioso para todas aquelas manifestações perdidas no tempo e no espaço.

O tempo passa, a vida segue, crescemos, os fatos seguem seus rumos, estudamos, arrumamos trabalho, namoramos, transamos, amamos, casamos, brigamos, separamos… amigos entram e saem da nossa vida como entram e saem as malas da minha. Cidades, estados, países e a vida vai. Construímos, desfazemos, refazemos, abrimos, fechamos, investigamos, nos frustramos, conseguimos, vencemos, perdemos, aprendemos… E nesse curso a vida segue seus meandros como um rio que atravessa uma planicie de aluvião, serpenteando, abrindo novos caminhos, aprendendo terreno novo.

Mas eis que um dia você olha a fotografia e alguns rostos que você conheceu não estão mais lá. Se foram, nalgum momento deixaram de existir. Doído no momento, muitas vezes um alivio pela responsabilidade prometida “até que a morte lhes separe”, fato. E essa passagem da “existência” para a “não existência” é um pulo, e às vezes, ou muitas vezes, te pega na hora despreparado. Se vão.

Mais tempo passa, mais água sob pontes que já nem função tem mais. E eis que um dia você entende o significado de Finados. Elefantes que voltam para relembrar seus mortos e aprender alguma coisa mais na reflexão sobre o relacionamento, agora congelado no tempo e no espaço. Religioso?

Nesse momento agora em que escrevo me encontro sentado sobre uma pequena pedra no meio do Mato, sob a sombra de paineiras, magnólias e de uma goiabeira. Sim, uma goiabeira é meu pai. Plantamos essa árvore após seu falecimento. Pequena goiabeira, ele pediu. Plantamos. Moro perto. Não voltei mais, não voltei mais até o dia de hoje. Grande goiabeira, aguentou de novo!

Vim porque me deu vontade! E trouxe umas coisinhas que ele gostava. Já ouvimos Bach e Tchaikovsky, trouxe uns biscoitos de rosquinha que ele gosta, mas só quatro (eu queria trazer três, ele pediu mais um, vai lá eu dei!). Também trouxe água. Achei graça de mim mesmo trazendo isso subindo a escada porque parecia que eu estava fazendo uma oferenda. Uma oferenda! Logo eu um amante da ciência? Onde já se viu?

É algo ritual, terreno, da natureza. Algo xamânico, africano, nao sei, nao sei porque isso não é religião, é apenas uma forma de, na ausência, poder bater um papo. E enquanto toca Souvenir d’un lieu cher: Melodie eu vou dando os biscoitos e a água. Meu pai era da terra, era bastante terreno, talvez aí fonte do nosso desencontro. Mas vim, como um elefante, refletir, me emocionar, aprender e agradecer.

Há de se haver tempo para que brote a árvore

Há de haver tempo para que se brote a saudade.

Há de haver tempo para que haja compreensão.

É a Vida, é toda sua e só sua.

Viva a Vida!!

Bom dia de Finados.

No Left no Right no More!

The “discussion” has evolved, has shifted from the old XXth century to a new, more “left/right” to “economic/social”. The more and more we’ll see terms as “economic liberal and socially conservative” (Merz) or “economic socialist and socially conservative” or “economic conservative and socially liberal” (Delanoe, NY mayor or governor…)

New economic-political topology, much more adequate to current days.

https://www.theguardian.com/worlkd/2018/oct/31/rightwinger-leads-race-to-succeed-angela-merkel-as-party-chair

The Long Awaited Letter

Marcando o 500º aniversário do desafio de Martinho Lutero para a igreja estabelecida, o New Weather Institute e o grupo de campanha Rethinking Economics, com a contribuição de uma grande variedade de economistas, acadêmicos e cidadãos interessados, estão desafiando o ensino geral da economia e publicando o apelo a uma nova reforma em 33 teses para uma reforma econômica.

Quinhentos anos atrás na Europa, um único sistema de crença dominava todo discurso público: o cristianismo católico. Aqueles que eram considerados especialistas neste conjunto de crenças possuíam um poder imenso, uma vez que lhes permitia reivindicar autoridade exclusiva em todos os assuntos – desde as regras de comportamento até o direito de governar. Kings e Queens ouviram seus conselhos e temiam suas críticas. Os intelectuais submetidos aos limites da sua ideologia, a fim de libertar-se disso, precisavam de uma imaginação e coragem excepcionais. As pessoas comuns podem ter dúvidas, mas os sacerdotes protegem suas teorias falando em um idioma que o público não conseguia entender, escondendo qualquer evidência contraditória.

Existe agora uma situação similar na economia neoclássica. Desenvolveu-se como um sistema de crença, derivando todas as suas teorias de alguns princípios fundadores que eles próprios passam inquestionáveis. Ele passou a dominar o debate público e a tomada de decisões; e seus proponentes reivindicam autoridade especial para se pronunciar sobre todos os assuntos – do dinheiro e das economias para a migração e a soberania. Seu ensino assumiu as características de doutrinação: os alunos são convidados a memorizar e repetir, em vez de criticar e avaliar. Aqueles que disputam suas teorias fundamentais são ignorados ou marginalizados. Sua linguagem matemática, aparentemente sofisticada, apresenta ao público um folheto de especialização, enquanto obscurece os julgamentos de valor, a adivinhação e a incerteza, que é, às vezes, tão inquebrável como qualquer sistema de crenças baseado na fé.

Quinhentos anos atrás, Martin Luther quebrou o controle do sistema de crenças monopolistas de seu tempo, com “95 teses” que suas falhas claramente na linguagem comum, tornando-as claras para todos verem e propondo o início de uma nova maneira frente. Nós propomos uma nova 33 Teses para uma Reforma Econômica.

Ei-la!

http://www.newweather.org/wp-content/uploads/2017/12/33-Theses-for-an-Economics-Reformation.pdf

DIVIDIR – Pedir ajuda E AJUDAR!!!

Caro Rafa,
Estou participando do ESF, hoje é sábado quase 11 da noite e amanhã ainda temos jornada inteira. Estou eletrizado, meu corpo energizado! Tenho aprendido muito, tecnicamente, e essa talvez seja a menor das partes, claro que tem sido importante mas aonde existe muito mais é aonde eu nem imaginaría que existisse algo a ser explorado. Durante esses dois dias eu toquei partes da minha própria pessoa, todo processo serviu como um catalizador para muito do que eu tenho me preparado e, com certeza, o mais importante aprendizado de todos é a humildade e, humildemente, te digo: é muito difícil para alguém que se achava alguma coisa perceber que  é nada. A lição que o Nosso Astronauta me ensinou foi Divina! Olhar-se para si na imensidão do Universo e perceber-se Nada me fez perceber-me como um nada na frente dele. Confesso: tinha preconceitos em relação à ele e, como que mágica, ele respondeu exatamente às minhas questões: A resposta dele – “sim, sou um mecânico de aeronave e quero morrer de macacão” me deu a dimensão da pessoa e da sua Autenticidade. Autenticidade. Palavras suas na sua apresentação de hoje (menino vc é muito novinho pra fazer tal “estrago emocional” numa pessoa, mas estrago no modo positivo!), Autenticidade é uma palavra que enseja, antes de mais nada, um Choque Geracional, talvez ainda mais no Brasil do que nos EUA. Eu tenho 52 anos e para mim – e talvez toda a minha geração – espero que tenhamos sido a última geração que tinha que seguir um script desenhado por outros. Para a minha geração a palavra Autenticidade, “seguir os seus sonhos”, nada disso existía! Imagina! Nós não tínhamos desbravadores como vocês, e se houvessem não sabíamos da existência deles. Pouco sabíamos sobre os negócios, as conquistas, os sucessos de outros, talvez por jornal ou talvez na revista mensal, jamais imediatamente como agora! Tenho 52 anos, explicar para os meus contemporâneos no que eu estou me metendo soa Grego para eles. Ou Polinésio! Para nós “ser feliz fazendo o que se quer, sendo quem se é na vida” é uma Utopia reservada apenas à poucos felizardos, os que ganharam na Loteria da Vida, independentemente do tamanho da aposta. Agora não. Com o conhecimento técnico aprendido e tantas estórias contadas vê-se ser possível ser o que se quer Ser e viver disso! Conseguir uma vida digna quer seja sendo uma chef ou um coach, uma fotógrafa ou um pecuarista (sou agrônomo, guarde a informação!)

Tocar as pessoas. Em todos os sentidos. Compartilhar abertamente, sentir. Eu quase não acredito no que estou vivenciando. Ouvir as estórias do Shurmann, do Olivetto, nossa!, me enche de orgulho! Perceber que existe um negócio, sim, mas que esse negócio é calcado no Compartilhamento me enche de orgulho! Ajudar, compartilhar, retribuir, dar de volta, me perguntar “Como posso ser útil?”. Quebramos Paradigmas. Por séculos vivemos numa Economia de Exploração e partimos para a Economia do Compartilhamento. Cornucópia, quanto mais tiro mais tenho. O Universo é Pródigo, só precisamos aprende a Escolher. Focar. Confesso que tenho até um medo de acreditar que posso pedir tanto, posso?? Isso é maravilhoso.

Raivas, mágoas e frustrações

E você… quando eu te ví, de novo, confesso (confessar faz parte do purgatório), pensei: “afinal o que faz esse besouro no palco?” (Lembre-se, sou agrônomo!) e você mesmo me respondeu, deu risada do seu terno brilhante e me disse “cada um tem que ser o que É!!”, e eu pensei: “de novo, tomando outra bordoada”. E depois de ouvir a sua trajetória eu pensei: “quem sou eu para pensar qualquer coisa??” E tive uma profunda sensação de astronauta, um grão de areia nesse vasto Universo.


Muito Obrigado. De antemão agradeço pelo que virá. Agradeço ao Bruno, me identifico com vocês, acredito no que voces acreditam, acredito que estamos (espero estar junto!) à frente de uma grande Revolução, e por mais incrível que pareça, o Brasil se posiciona à frente! Olivetti disse, somos os top 3 em produção de vídeos criativos (potencialmente virais, e talvez nem tão politicamente corretíssimo assim como hoje exige o mundo, e o Olivetto deu a pista “politicamente sensível”, o que nos dá um diferencial enorme frente às culturas anglo-saxônicas, as duas outras no páreo). Temos um potencial enorme de construir uma juventude capacitará à partir do Nada, vide sua estória, a do Cap. Marcos Pontes, a da minha amiga Silvana Rosa. 

E temos uma coisa que é um diferencial ENORME em relação à qualquer outra cultura ocidental (e acredite, a minha trajetória de vida me dá certa Autoridade para afirmar isso): Empatia. Amor. Sensibilidade. Chorei muito com o filme do Michael Schurmann, Esses somo Nós, sempre de barcos abertos para quem precisar.

Fui tomar um banho, cabeça cheia de pensamentos. Segunda-feira aterrisso na Terra, espero estar com os meus escudos em ordem. Volto para o mundo Brick-&-mortar, âncora que tenho que resolver para zarpar de novo. Uma transição meu caro que, garanto, pouca gente tem disposição – ou necessidade – de fazer aos 52 anos de idade. Brilhante! Oportunidade de Ouro, uma possibilidade de um novo caminho, pois nos últimos anos vim me escondendo nas sombras, e dela quero sair.

Meu caro, eu adoraría poder fazer parte do encontro que você propôs por último hoje mas, infelizmente, no momento eu não só não posso (comprometería uma transição nos meus negócios) como acho que pouco aproveitaríamos tudo que vocês têm para dar. Sería muita areia para o meu caminhãozinho, no operacional sou um rookie, um novato. Podería até flertar com a idéia de pedir uma flexibilização maior no pagamento – ou pior – podería aceitar uma oferta sua, mas não sería correto. Acho que talvez até fosse justo – dado o valor representativo do investimento – propor a algum mecenas que fosse sponsor de uma bolsa para alguma pessoa com menos posses, mas com esse espírito que temos, para que possa propagar esse conhecimento nas suas comunidades. Pobreza se combate com Riqueza e todo mundo tem que entender que há riqueza para todos. E faço até um compromisso aqui: caso eu consiga vender as peças que eu tenho em estoque da empresa que tento liquidar me comprometo dar uma bolsa de € 5.000,00 (cinco mil Euros – e este valor tem uma razão de ser) para custear uma vaga no projeto para um necessitado. Tenho um dinheiro parado que tem que encontrar sua destinação.

E, para mim, First Steps First. Gostaria de resolver a minha questão de fluxo de caixa, montar minha estrutura de recorrência com algo relevante para meu nicho (ainda busco até o que oferecer… tanta coisa… e nada) e para isso espero um dia fazer o NOS ou mesmo conseguir vencer através da sua Rede. Mas para isso tería que fazer com a minha sócia e sería um desembolso que tería que convencê-la fazer. Acredito que o elástico dela sobe comigo.

Enfim Rafa, na ficha de inscrição para o Seminário, nos materiais do Bruno, havia um campo para preencher que dizia sobre Ambições ou Visão. Visão. Achei enfim que podia pedir mais ao Universo do que eu jamais sonhara. Olhei aquelas ideias como montanhas gigantes, maiores do que eu jamais podería alcançar. Mas como me ensinou uma nova amiga, gritei alto, ainda que no meu silêncio interior, o que eu quero fazer, e humildemente a lista lógica, cada passo tem uma razão de ser:

Conhecer o Saverin com o Rafa Prado e a Silvana Rosa, para perguntar sobre a contribuição da cultura Brasileira no escopo do projeto do Facebook ou de novas redes sociais, complementares, baseada em outros Valores; navegar um dia com os Shurmann com o Cláudio meu amigo (ou só vai o Cláudio; minidocumentário “Os Sonhos Não Morrem Nunca”); almoçar na casa da D. Luíza (que entende tudo de rede social); escrever um livro sobre “Economia Digital e do Compartilhamento no Brasil” junto com minha amiga Silvana Rosa; trazer o Washington Olivetto para um projeto de capacitação em mídias sociais para jovens necessitados e com o inconformismo nos olhos (como você, a Michele minha sócia e tanta gente que começou com nada; Efrain Diaz pode cuidar disso), junto com o Justus e financiado por uma pessoa como o Lehmann no suporte à Educação do Compartilhamento; ser conduzido pelo Cap. Pontes em um tour desde a sua casa até os motores da Soyuz na Rússia (documentário realizado por alunos do projeto); criar uma rede social de compartilhamento de talentos, hospedada no Brasil, e de onde os brasileiros treinados nas habilidades por brasileiros do naipe da rede de profissionais do Washington Olivetto e tantos outros possam oferecer seus talentos e habilidades (um LinkedIn da Economia do Compartilhamento).

Se essa é a Visão é até aqui que eu posso ver.

Abraços.

Mario Nobre

PS.: um dia eu tenho uma pergunta muito pessoal para lhe fazer, para refletir. E agora são 2h30 da manhã vou dormir para estar 100% amanhã.

Será que o que pensamos pode estar errado? O dinheiro não aguenta desaforo. (mensagem à esquerda-arcaica)

Então, quem diría, ontem o Banco Central baixou a taxa de juros em 0,75%! Resultado de uma inflação finalmente decrescente (mas por um motivo não muito auspicioso) depois de vários trimestres em alta e de uma conjuntura favorável o Banco Central (hoje mais independente do que era no tempo do… como era mesmo o nome do gordinho??) entendeu o BC que existe espaço para uma queda mais ampla nos juros, o que confirmará ao mercado alguma confiança de que a trajetória da inflação é redutora.
 
Interessante… sem decreto nem discurso, sem palavras de ordem nem faces raivosas maldizendo A ou B, simplesmente temos hoje uma taxa de juros que começa a dar sinais que entra nos eixos. E daí resolví escrever uma mensagem aos meus amigos da esquerda-arcaica, espero que possam ler com algum interesse e, quem sabe, rever as suas idéias e conceitos. Quem sabe consigam enxergar a natureza sistêmica da economia, seus equilíbrios dinâmicos e como não existe nada que possa ser alterado radicalmente através de decretos.
 
Taxa de Juros primária. O que é isso? Simplificando, é o quanto o Governo tem que pagar para que financiem os seus déficits. E é como emprestar dinheiro a alguém: quanto menos confiável a pessoa é, mais caro devería ser os juros que voce cobra, normal. E é o que o mercado faz. Quando um governo começa a tomar decisões por decreto, sem respeitar os equilíbrios dinâmicos da economia, criando déficits primários, bagunçando as transferências de recursos entre uma entidade governamental e outra (tal como BNDES, Caixa, BB, Tesouro Nacional, etc), ele fere esse pressuposto e com isso os monitores do sistema (as agências de risco) levantam o cartão amarelo (ou baixam o ‘rating’ do país). Com uma percepção maior de risco o governo então tem que aumentar os juros, afinal, quem detém o dinheiro (lembre-se: o governo, ainda que arrecade muito, consegue ser deficitário e justamente porque tem que pagar juros altos!), investidores ou fundos de pensão, não querem, nao se sentem seguros ou não podem investir em empresas ou países com rating abaixo de um determinado limite. Então o que o governo tem que fazer? Aumentar ainda mais os juros. Nesse sistema todo, em toda essa equação qual é a variável que ‘mexe” com as outras??? Eu digo: é a credibilidade das ações tomadas.
 
O interessante das taxas de juros caindo é que isso faz com que investidores venham para o mercado “real” e não deixem o seu dinheiro parado no mercado financeiro, quanto mais em um país com tantas oportunidades de investimentos como o Brasil. Infraestrutura por desenvolver, 200 milhões de habitantes, temos inúmeras oportunidades de negócios, mas como um investidor, que é um ser racional, vai investir em escolas por exemplo, ou ferrovias, se, a taxa de juros quase sem risco nenhum (taxas do Tesouro Direto, por exemplo), pagam muito mais do que um retorno normal de quase qualquer negócio??? Que negócio hoje, sem risco, paga 14,5% ao ano por 20 anos?? Nenhum!!!!! Os bons capitalistas, aqueles que gostam de correr riscos e se aventurar em empreitadas, sabem que o único remédio é termos taxas de juros mais baixas, ainda muito mais baixas do que estão mas, claro, como bons capitalistas, conhecedores e respeitadores das leis da economia sabem que não adianta baixar as taxas de juros por decreto, na vontade e na marra. Novamente, é um sistema, é como água em um sifão, se voce abaixa ela aqui ela vai subir nalgum outro lugar (ou é na inflação e/ou é no cambio e/ou é no desarranjo dos preços relativos das coisas).
 
Quem já teve paciência de ler alguma coisa que eu tenha escrito sabe que eu nunca ataquei o governo do pt por ter defendido (mas não implementado) políticas consideradas mais à esquerda mas por uma série de erros básicos, primários, na condução da política econômica que levaram a um desarranjo total entre os componentes do sistema econômico. Fizeram déficits primários crescentes, criaram ‘campeões nacionais’, meteram a mão no caixa das empresas… in summa, fizeram um estrago, uma bagunça na economia. Eu não defendo a legitimidade do Temer na cadeira da Presidência da República mas tenho que admitir que, do ponto de vista econômico, as ações tomadas até agora podem vir a diminuir ainda mais as taxas de juros, o que trará várias consequências interessantes ao país: leve valorização do Real, o que ajudará os exportadores; boom na Bolsa de Valores, o que levará dinheiro ‘mais barato’ para as empresas e, consequentemente, maior capacidade de investimento e maior competitividade; aumento do interesse de investidores de todos os tamanhos para produzir ao invés de investir no mercado financeiro, o que aumentará a quantidade de empregos; contas públicas com a hemorragia estancada, o que facilitará o aumento do rating do país e, consequentemente, a diminuição das taxas de juros novamente… e por aí vai.
 
Enfim, o que eu quero dizer com isso tudo é que a economia é um sistema e que é um sistema com um ciclo e um periodo de maturação. Não adianta querer tirar o bolo do forno antes da hora (como fez o governo da esquerda-arcaica), não adianta querer apressar as consequências dos atos e das suas consequências, tudo tem um período de maturação e percepção do mercado sobre SE e COMO determinadas medidas impactam no comportamento da economia e dos agentes financeiros para daí então darmos outro passo adiante.
 
O que eu mais espero, ao final disso tudo, é que uma vez mais no grande ciclo político, que sucede o econômico, o próximo governo de esquerda não seja arcaico como foi o do pt, que não sucumba aos maneirismos que fazem parte do status quo (e do qual os petistas abraçaram com fervor) e que se possa finalmente tirar nosso povo da pior miséria que existe: a educacional e, sucessivamente, a intelectual.
 
Boa sorte, bom dia

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